Diferença entre inseminação artificial e fertilização assistida

A infertilidade afeta de 15% a 20% dos casais em idade reprodutiva. Isso representa cerca de 15 milhões de casais no Brasil. Metade desses casais serão tratados por técnicas que otimizam a chance de fertilização, as mais conhecidas são a inseminação artificial e as técnicas de fertilização assistida. Várias pessoas confundem esses dois tipos de tratamentos.
A inseminação artificial ou inseminação intrauterina (IIU) consiste na deposição de espermatozóides no útero da mulher. Espera-se que os espermatozóides ali depositados “nadem” livremente pelo sistema genital feminino e cheguem às tubas uterinas onde irão fecundar o óvulo. Os espermatozóides usados na IIU são preparados em meio de cultura especial que aumentam sua energia e sua motilidade, através de um processo denominado capacitação. A chance de gravidez por tentativa de IIU em mulheres abaixo de 35 anos, fica em torno dos 20%. A taxa de bebê em casa em ciclos de IIU varia de 13 a 15%. Após os 35 anos esta probabilidade reduz, não tendo benefício após os 38 anos.
As técnicas de fertilização assistida são mais complexas e envolvem a manipulação tanto dos espermatozóides quanto do óvulo. Uma das mais conhecidas é a fertilização in vitro convencional (FIV). Nesse processo, a mulher recebe injeções específicas para produzir vários óvulos pelos ovários. Uma vez que eles atingem o tamanho ideal para ovular, eles são coletados da mulher. Cada óvulo é imerso num recipiente de plástico inerte especial contendo meio de cultura e 50 a 100 mil espermatozóides. Somente um desses espermatozóides irá fecundar o óvulo. Uma vez fecundado o óvulo, inicia seu crescimento e e divisão, originando o que chamamos de pré-embrião. Após 24 horas, teremos 2 células, com 48 horas teremos 4 células, com 72 horas, 8 células e assim por diante. A partir desse estágio (8 células), os embriões já podem ser transferidos para o interior do útero da mulher. Após 12 dias da transferência, faz-se o teste para confirmar a gravidez. Então, basicamente a diferença é que na inseminação, introduzimos a "semente" e na fertilização in vitro – "a muda".
Um outro tipo de fertilização assistida é a ICSI – injeção intra-citoplasmática de espermatozóide – neste caso, um único espermatozoide é injetado em cada óvulo disponível sob visão de um microscópio especial através da utilização de microagulhas micro-manipulação dos gametas).
As chances de gravidez pela FIV / ICSI variam de acordo com a idade, mas chegam a 60% por tentativa em mulheres com menos de 35 anos. A taxa de bebê em casa varia de 35 a 45%.
A primeira inseminação artificial fora realizada no século XVII. No Brasil iniciou na década de 80. Em Manaus realizei a primeira inseminação, resultando em gravidez em 1992.
Já a FIV teve início na Inglaterra com o nascimento de Louis Brown em 1978. No Brasil, iniciou em 1984 e em Manaus o primeiro bebê nascido de FIV completou esta semana 23 anos, portanto realizei em 1992.
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Sobre o Autor
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Dr. Lourivaldo Rodrigues
Professor Associado III da Universidade Federal do Amazonas em Tocoginecologia. Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela UNICAMP. Doutor em Reprodução Humana pelo Instituto Valenciano de Infertilidade – Espanha Diretor do Hospital Universitário Getúlio Vargas.