História de homens que não "geravam" espermatozoides... Parte 1
Vários homens chegaram com essa queixa, mas três foram marcantes. Estamos acostumados a ouvir e ler histórias contadas por mulheres. Essas serão de três homens que, obviamente, não serão identificados.

O que havia em comum entre eles era a azoospermia (ausência de espermatozoides durante a ejaculação). Mas por diferentes causas.
Antes de continuar, preciso explicar como funciona o testículo.
O testículo tem duas áreas: uma que produz espermatozoides (células de Sertoli), outra que produz a testosterona (células de Leydig) e uma estava normal porque ele exibia todas as características masculinas de quem produz testosterona (timbre da voz, silhueta do corpo, massa muscular, distribuição dos pelos e comportamento).
O primeiro chegou há muitos anos atrás. Um homem inteligente, dinâmico, numa segunda união sem filhos. Ela, uma jovem profissional e dedicada esposa. Formavam um belo casal, mas faltava completar a família.
Muito direto ele me perguntou se havia solução e eu respondi que sim.
Expliquei que as causas poderiam ser várias, desde ausência de hormônios, atrofia nos testículos, Mas primeiro eu precisaria avaliar e confirmei, através de mais um espermograma, exames hormonais e genéticos que realmente tratava-se de uma azoospermia de origem provavelmente testicular por ausência de produção de espermatozoides devido à uma inflamação no passado, acusada por parotidite (caxumba ou papeira).
A solução seria sémen de doador. Mas, antes, eu precisava ter certeza que a causa era irreversível.
Naquela época a era rotina realizarmos biópsia testicular, que ele ainda não havia sido submetido. Mas, antes, era preciso explicar o cenário que poderia advir com a biópsia.
Caso houvesse ausência ou atrofia das células de Sertoli e/ou túbulos seminíferos, a solução seria usar sémen de doador, onde ele poderia escolher todas as características físicas, grau de instrução, profissão, hobby, etnia, nacionalidade, condições de saúde, doenças hereditárias, em um Banco de Sémen.
A resposta foi que não aceitaria sémen de doador.
A biópsia foi realizada, o resultado confirmou atrofia das células produtoras de espermatozoides e ele retornou muito triste. Mas, olhando com cuidado, a descrição mostrava que haviam túbulos seminíferos e concluímos que seria reversível.
Propus fazer um tratamento por três a seis meses e retirar espermatozoides através de punção no testículo ou epidídimo.
Realizamos a primeira tentativa e não houve gestação.
Partimos para segunda tentativa e a gravidez ocorreu, gemelar.
No próximo artigo, Parte 2, explicarei o próximo desafio.
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Sobre o Autor
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Dr. Marco Cavalcanti
Criador do TESTEDEFERTILIDADE.COM.BR E FERTILITYCHECKONLINE.COM. Especialista em Ginecologia, Obstetrícia e formado em Medicina Reprodutiva e Cirurgia da Reconstrução Pélvica pelo South Florida Institute for Reproductive Medicine nos Estados Unidos. Reproduziu num computador o raciocínio de um especialista, através de um software de Inteligência Artificial em Reprodução Humana e Endometriose. Autor do livro "Quero meu Bebê", é o responsável pela geração e nascimento dos primeiros bebês brasileiros da técnica de reprodução assistida (GIFT por Histeroscopia Modificado). Duas das suas produções científicas foram selecionadas para concorrer ao maior prêmio da Reprodução Humana no Brasil: Prêmio Campos da Paz.