Nascer duas vezes
Você sabia que só está aqui entre nós porque teve que sair de uma casca e, por isso, praticamente nascemos duas vezes?

Isso é vivenciado mais claramente por bebês de fertilização INVITRO que os embriões foram cultivados 5/6 dias fora do corpo: O BLASTOCISTO!
Poucos sabem o tremendo desafio que foi até conseguir nascer Louise Brown, o primeiro bebê de proveta do mundo, em 1978. Clique para Ler Mais (aqui eu aprofundo mais sobre o tema).
Durante anos vários embriões foram cultivados até aquela data, sem obter sucesso, e alguns, apesar da gestação, não evoluíram até o nascimento.
A vitória de Patrick Steptoe, médico inglês, e Robert Edward, fisiologista inglês, transformou a vida de milhões de mulheres em todo o mundo. O que era quase impossível, hoje é testemunhado por milhões de casais em todo o mundo.
Poucos sabem que Steptoe passou por enormes barreiras até atingir o pioneirismo na Fertilização Invitro.
Steptoe foi preso durante a segunda guerra, teve as verbas da pesquisa retiradas e só conseguiu o êxito do primeiro bebê de proveta (test tube baby) já no último ano para aposentar.
Eu, particularmente, achava que Louize Brown tinha sido gerada com um embrião em forma de blastocisto (embrião de 5 à 6 dias). Isso porque as pesquisas de Steptoe e Edward escolhiam transferir embriões assim, imitando a natureza humana. Só que no caso da Brown, escolheram colocar o embrião com dois dias e meio, dando certo.
Por causa disso médicos do mundo inteiro passaram décadas optando por uma transferência de embriões, para a cavidade do útero materno, entre o 2º e o 3º dia após a fertilização invitro. Só que ocorriam quatro problemas principais:
- - No corpo da mãe, do 1º ao 5º dia, o embrião está na tuba (trompa de falópio) e não na cavidade uterina. No sexto dia é que ele está na cavidade uterina e saindo da casca (hatching). Assim, colocar embrião na cavidade uterina, entre o 2º e o 3º dia, ainda dentro da casca (zona pelúcida), é contrário à natureza humana e ele fica “solto” numa enorme cavidade uterina (3x2 cm em média), quando deveria estar dentro da trompa de falópio (0,3 a 0,1 cm) sendo lentamente transportado até o útero.
- - O número de embriões transferidos era três ou mais, resultando em gestações múltiplas (Trigêmeos, quadrigêmeos) com graves consequências para os fetos, devido à prematuridade extrema, sequelas graves nos bebês e ao alto índice de abortos.
- - Os meios de cultivo para os embriões não eram adequados para cultivá-los até o quinto/sexto dia e assim obter blastocistos saudáveis e suficientes.
- - As taxas de sucesso eram baixas.
Entre 1995 e 1998, nos Estados Unidos, eu obtive minha formação médica também como médico em Reprodução Humana e também Embriologista. Aperfeiçoei meus estudos em tubas (trompa de falópio) com o expert Dr. Juerguen Eisermann, onde aprendi transferir óvulos, espermatozoides e embriões para as tubas (trompa de falópio) e apresentei os primeiros bebês brasileiros da técnica. Isso me estimulou a imitar a natureza e, a partir de 2005, me tornei um dos primeiros no mundo a utilizar de rotina, para todos os casos, o cultivo dos embriões até blastocistos, só transferindo embriões no 5º/6º dia.
As taxas de gestação por transferência de blastocistos praticamente dobraram e são cerca de três vezes superiores às das gestações espontâneas.
Eu digo que com a técnica de fertilização INVITRO demonstramos como nós nascemos duas vezes:
- - 1º porque até formar o Blastocisto entre duas e três semanas depois da menstruação, o óvulo e o embrião se desenvolvem dentro de uma casca de ovo, em ambiente externo e sem conexão ao corpo materno, semelhante aos ovíparos (aves, peixes, répteis, anfíbios, insetos, moluscos). Para continuar desenvolvendo e ter chance de implantar no endométrio ele precisa sair da casca através de um rasgo (1º nascimento). Infelizmente alguns não conseguem e morrem.
- - 2º porque, normalmente oito meses depois, rompemos a bolsa de líquido amniótico na hora do parto e saímos do útero (2º nascimento).
Filosofando um pouco, vou finalizar dizendo que nenhuma outra gestação é tão perseguida, acompanhada passo a passo, desde o desejo impossibilitado por uma infertilidade que afeta milhões de seres humanos, passando por injeções, alta tecnologia, angústias, resultados negativos até chegar à esse tão desejado e sonhado momento: NASCER DUAS VEZES!
Marco Cavalcanti
Presidente fertilitycheckonline.com
www.proveta.com.br
#anticoncepcionalfcol
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Sobre o Autor
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Dr. Marco Cavalcanti
Criador do TESTEDEFERTILIDADE.COM.BR E FERTILITYCHECKONLINE.COM. Especialista em Ginecologia, Obstetrícia e formado em Medicina Reprodutiva e Cirurgia da Reconstrução Pélvica pelo South Florida Institute for Reproductive Medicine nos Estados Unidos. Reproduziu num computador o raciocínio de um especialista, através de um software de Inteligência Artificial em Reprodução Humana e Endometriose. Autor do livro "Quero meu Bebê", é o responsável pela geração e nascimento dos primeiros bebês brasileiros da técnica de reprodução assistida (GIFT por Histeroscopia Modificado). Duas das suas produções científicas foram selecionadas para concorrer ao maior prêmio da Reprodução Humana no Brasil: Prêmio Campos da Paz.