Parto em domicílio ou hospitalar?
Qual a melhor opção?

Nos últimos anos essa discussão tem trazido grandes progressos, principalmente porque o desejo do parto domiciliar tem o apelo da melhor humanização de um momento cercado de grande emoção: o nascimento de um filho.
É verdade que os partos hospitalares contribuíram negativamente com a beleza desse momento único e as mães, isoladas, clamavam pelo aconchego. O papel da família foi substituído por profissionais que, muitas vezes, eram estranhos.
Foi então que profissionais e a sociedade, sensibilizados com esse sofrimento de abandono afetivo, resolveram trazer técnicas e atitudes que tornassem o nascimento "humanizado".
Alguns hospitais investiram em espaços onde as parturientes não parecessem estar "internadas". As mesas "frias" de parto viraram confortáveis leitos automatizados. A falta de tempo dos companheiros para cursos deu espaço às profissionais acompanhantes. Os obstetras que não estavam atentos às novas reivindicações perderam clientes.
Preocupado por presenciar tanto sofrimento nas salas de pré-parto de parturientes, sem direito à analgesia do parto, eu resolvi humanizar o trabalho de parto, período em que as gestantes ficavam se contorcendo durante horas de dores, gemidos e desesperos, principalmente na última hora para o nascimento do bebê. Resolvi fazer parto de cócoras. Percebi que promovi um enorme bem estar durante meus plantões na maternidade escola para mamães carentes. Os gritos e choros de desespero se calaram. Resolvi oferecer o método para minhas pacientes do consultório.
Conheci, fiquei amigo, do maior defensor do parto de cócoras no Brasil: Doutor Moisés Parcionik. Juntos fundamos simbolicamente a Sociedade Brasileira do Parto Vertical (Parto de Cócoras).
Fiz mais de 300 partos de cócoras em hospital na década de 90. O único que fui fazer em domicilio complicou. Foi um sufoco e só contornei por ser extremamente experiente. Houve um acretismo placentário parcial com hemorragia violenta. Lembrar que 15 a 30% dos partos complicam e que 10 a 15% só resolvem com cesárea. Sendo que algumas são complicações graves e imediatas, com risco de complicações materna ou fetal, e o ambiente hospitalar não estará acessível em domicilio.
O tema parto domiciliar versos hospitalar é discutido no mundo inteiro.
Um forte impacto negativo para o parto domiciliar ocorreu em 2012, quando a maior defensora dos partos em casa, Caroline Lovell, teve uma parada cardíaca enquanto dava à luz a filha, Zahra, em casa, em Melbourne, na Austrália. A morte reacendeu o debate sobre os partos naturais em casa.
A frequência de nascimento planejado fora do ambiente hospitalar (parto domiciliar) nos Estados Unidos tem aumentado nos últimos anos. O valor de estudos que avaliam os riscos perinatais de parto domiciliar contra o parto hospitalar tem sido limitado por casos em que é necessária a transferência para um hospital, quando o nascimento que foi inicialmente planejado como um parto fora do hospital e erroneamente classificado como um parto hospitalar.
Foi realizado um estudo de todos os nascimentos que ocorreram no Estado do Oregon em 2012 e 2013, usando dados de certidões de nascimento. Avaliaram a morbidade e mortalidade perinatal, morbidade materna e procedimentos obstétricos, de acordo com a configuração de nascimento planejado (fora do hospital vs. hospitalar).
O parto domiciliar foi associado com uma maior taxa de morte perinatal do que foi planejado parto hospitalar (3,9 vs 1,8 mortes por 1.000 partos). As chances de convulsão neonatal foram maiores e as chances de admissão a uma UTI neonatal menores do que com o nascimento hospitalar.
O parto domiciliar também foi fortemente associada ao nascimento sem intervenções do obstetra (93,8%, contra 71,9% nos partos hospitalares) e com a diminuição de chances para procedimentos médicos obstétricos.
As conclusões do estudo foram que mortalidade perinatal foi maior com o parto domiciliar do que com o nascimento hospitalar, mas o risco absoluto de morte foi reduzido em ambas as opções.
Os riscos de complicações do parto, quer domiciliar ou hospitalar são baixos. Com essas informações a decisão legítima da escolha do local do parto pela gestante deverá ser respeitada, tendo o cuidado do profissional obter o consentimento informado assinado.
Fontes:
Defensora dos partos em casa morreu ao dar à luz
http://www.jn.pt/paginainicial/nacional/interior.aspx?content_id=2282399
Estudo americano sobre Parto domiciliar X Parto hospitalar
http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMsa1501738#discussion
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Sobre o Autor
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Dr. Marco Cavalcanti
Criador do TESTEDEFERTILIDADE.COM.BR E FERTILITYCHECKONLINE.COM. Especialista em Ginecologia, Obstetrícia e formado em Medicina Reprodutiva e Cirurgia da Reconstrução Pélvica pelo South Florida Institute for Reproductive Medicine nos Estados Unidos. Reproduziu num computador o raciocínio de um especialista, através de um software de Inteligência Artificial em Reprodução Humana e Endometriose. Autor do livro "Quero meu Bebê", é o responsável pela geração e nascimento dos primeiros bebês brasileiros da técnica de reprodução assistida (GIFT por Histeroscopia Modificado). Duas das suas produções científicas foram selecionadas para concorrer ao maior prêmio da Reprodução Humana no Brasil: Prêmio Campos da Paz.